quinta-feira, 27 de novembro de 2008

DOIS EM UM - FOTO


STOCK CAR: (DOIS EM UM) - Durante o treino de sábado em TARUMÃ, tirei a FOTO no final da reta, curva UM. Estava no camarote da BOSCH. Vejam: na tela da televisão, o carro nº09 de Giulliano Losacco, na pista ele mesmo.

ESPÍRITO ESPORTIVO – VICENTE MAJÓ DA MAIA vmmaia@uol.com.br


TARUMÃ:

Estive em Tarumã, a convite da Diretoria de Imprensa da Copa Nextel Stock Car Brasil 2008 (este é o nome oficial da principal categoria do automobilismo brasileiro). Tive a oportunidade de conviver com vários jornalistas que cobrem o automobilismo no Brasil e no mundo. Tive a oportunidade de ver o lançamento do carro de 2009 (no primeiro teste foi mais de 2 segs mais rápido). E posso ter visto a última prova da Stock Car em Tarumã, pois a Direção da categoria está muito entusiasmada com a conclusão da pista do VeloPark (autódromo mais novo e moderno do Brasil, que está sendo construído em Nova Santa Rita, pista pertencente a família Gerdau).
Tarumã pode ficar fora do calendário já em 2009. Por pura ironia do destino ou fruto da modernidade. Em 1979, quando começaram as provas da Stock Car, foi justamente a pista de Viamão a primeira a sediar um etapa. Porém, o local onde foi construída, não deixa alternativa para a criação de novas áreas de escape, para ampliação e modernização dos Box, da sala de cronometragem, da direção de prova. A questão mais séria é a segurança. A curva um (01), onde já tivemos pilotos perdendo suas vidas (lembram o Giovanni Salvatti, em 1971; o Pedro Carneiro Pereira (narrador, em 1973, este na reta dos Box).
Uma das perguntas principais nas entrevistas da imprensa com os pilotos é sobre este aspecto de segurança, onde todos manifestam suas preocupações. Porém, pela mística, pela tradição, por sua história, mas todos gostam de Tarumã, pelo desafio. O desafio desta curva 01, em quase 90 graus e a descida do Tala Larga, talvez a curva com o nome mais original do Brasil (batiza, também, a churrascaria do autódromo).
Se confirmada a mudança de circuito, temo pela manutenção do circuito. Acho que não só perderemos a oportunidade de apreciar o desafio, o risco que os pilotos passam; mas temo pelo abandono do circuito. O automobilismo gaúcho e brasileiro perderia muito.
Aliás, o Rio Grande do Sul que deve se orgulhar de ser o estado brasileiro com maior número de autódromos: Tarumã, Guaporé, Santa Cruz e Nova Santa Rita.

URUGUAIANA, 26 DE NOVEMBRO DE 2008.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

OS MELHORES

OS MELHORES:

A nossa BANDEIRADA é sempre a primeira a publicar a lista dos melhores do ano da F1. Nesta temporada, não vai ser diferente. Certamente, que após a nossa singela indicação, aparecerão as divergências, mas este é o objetivo: a ampla discussão. Com a lembrança de que o campeonato não foi só o GP Brasil.

Pela ordem:

1º) SEBASTIEN VETTEL: foi o melhor piloto do ano em minha opinião. Explico: embora o começo não muito bom, vencer em Monza (foi pole, também), com uma Toro Roso, ex-Minardi (um dos piores carros da história da F1), não é feito para qualquer um. Vale como um título.
2°) LEWIS HAMILTON: no segundo lugar do podium por ter sido campeão. Fez uma temporada de altos e baixos. Foi extremamente ousado em algumas situações (Bélgica e Japão) e muito conservador em outras (Interlagos). Cometeu erros, entre eles, o abalroamento em Raikkonen, no Canadá.
3º) FELIPE MASSA: reagiu muito bem ao início complicado, onde cometeu erros como aquele na Malásia (2º prova). Também, ele teve altos e baixos momentos, durante a temporada. Erros como em Silverstone e acertos como o da largada na Hungria. Amadureceu como nunca, durante o ano e foi prejudicado em alguns momentos pela equipe, sem reclamar.
4º) ROBERT KUBICA: o polonês conseguiu a sua primeira vitória, chegou a assumir a liderança do campeonato, até o GP Canadá, algo surpreendente. Lutou pelo título até o GP Japão. Outro feito. Não teve equipamento para buscar Hamilton e Massa.
5º) FERNANDO ALONSO: mostrou no final de campeonato o seu currículo de bicampeão. Fez andar a “carroça” da Renault. Um pena ter conseguido reagir tarde demais. Mesmo assim, contabilizou duas vitórias.
6º) NICK HIEDFELD: embora a badalação sobre seu companheiro de equipe (Kubica), o alemão fez um boa temporada (4 podiuns). Destaque especial para a cartada no GP Bélgica, quando parou na última volta para trocar os pneus e a tática quase deu certo.
7°) NICO ROSBERG: fez dois podium (Austrália/Cingapura), com uma Williams é muita coisa. Porém, precisa melhorar para não ser a eterna promessa, a exemplo de Trulli, Button e muitos outros.
8º) JARNO TRULLI: talvez, sua melhor temporada na F1. Apareceu bem nos treinos, dificultou muito as ultrapassagens dos concorrentes. Esteve freqüentemente entre os oito primeiros e chegou a um podium, na França.
9°) KIMI RAIKKONEN: desmotivado, porém, por ter vencido duas corridas e ajudado a Ferrari na reta final, merece ficar no grupo dos dez.
10º) TIMO GLOCK: fez, também, seu primeiro podium, na Hungria. Esteve bem, principalmente, no final do campeonato.

A lista e a justificativa estão à disposição para o amplo debate. Mas cabe, novamente, o registro que a escolha se baseia nas dezoito (18) provas realizadas na temporada. Não somente a última.

URUGUAIANA, 19 DE NOVEMBRO DE 2008.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

JUSTO

LISTA DOS MELHORES:

Aqui no BANDEIRADA, quase sempre, a lista dos melhores chega primeiro. Vou indicá-los, hoje, a justificativa vem na próxima semana: 1) Sebastian Vettel; 2) Lewis Hamilton; 3) Felipe Massa; 4) Robert Kubica; 5) Fernando Alonso; 6) Nick Hiedfeld; 7) Nico Rosberg; 8) Jarno Trulli; 9) Kimi Raikkonen; 10) Timo Glock.

DEZOITO:
A relação dos melhores leva em conta que a temporada tem dezoito provas (18) provas. Não se deixa levar pela emoção da última curva. É direito de o leitor opinar. Mas, não esqueçam disto. Analisei levando em conta os resultados, as possibilidades, as condições de cada uma nas suas equipes, condições dos carros que pilotaram durante a temporada toda, os erros cometidos. Cheguei ao meu resultado. Portanto, aqueles que não concordarem, basta fazer a sua lista.

LIÇÃO:
O próprio Felipe Massa mencionou que não perdeu o título na ultima curva. Perdeu no conjunto de dezoito corridas, onde ficou UM (01) pontinho só atrás do vencedor Lewis Hamilton.
PELO JUSTO:
Não gosto muito da história do “SE”. Porém, imaginando que Lewis Hamilton não tivesse ultrapassado Glock, na última corrida, teríamos Felipe Massa, campeão. Eles ficariam empatados com 97 pontos. O brasileiro seria campeão por ter conseguido uma vitória a mais do que o inglês (6x5). Porém, é importante lembrar que esta vitória a mais não seria só a conquistada no Brasil, na última prova.
A prova decisiva do campeonato, na verdade, seria o GP Bélgica, corrida na qual Lewis Hamilton foi o vencedor e, posteriormente, punido. Naquela oportunidade, a vitória foi tirada do inglês e entregue ao brasileiro Massa.
Assim, teríamos um campeonato decidido por um comissário, fiscal, que puniu (em minha opinião, injustamente) o inglês e, ainda, entregou a vitória para o nosso representante (grande e decisiva vantagem, no caso de empate entre ambos). Não seria justo o campeonato ser decidido assim. Principalmente, pela forte dúvida e/ou polêmica punição recebida pelo inglês. Para quem não lembra: Hamilton atalhou a chicane, devolveu a posição para Raikkonen e, logo a seguir, efetuou a ultrapassagem na curva seguinte, o que foi considerado irregular pelos fiscais. Este julgamento dos fiscais da Bélgica passaria a ser decisivo no campeonato. Mais importante do que as demais 18 provas.
O justo pelo justo: Lewis Hamilton.

URUGUAIANA, 11 DE NOVEMBRO DE 2008.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

REQUINTES

REQUINTES DE CRUELDADE:
Já vi isto, sim, no automobilismo. Já vi isto, sim, em filmes. Aqueles cujo roteiro deixa para resolver tudo nos últimos momentos. A história do GP Brasil teve todos os requintes: tensão, com a chuva da largada. Dúvida, sobre a estratégia a seguir. Perigo, nas condições da pista, no final. Expectativa, pois a poucos metros da chegada, ninguém sabia ao certo que venceria o campeonato. O roteiro perfeito de um filmaço. Mas, teve o seu lado cruel: com a torcida da arquibancada, com a equipe Ferrari e com a família e amigos de Felipe Massa. Mas... Para quem aprecia o automobilismo foi mais uma corrida sensacional. E um campeonato mundial inesquecível. Que vale um livro. Que vale um filme.

JUSTO:

Houve um grande equilíbrio na temporada. Entre Hamilton e Massa. Ambos mereciam o título. Porém, somente um deles poderia ficar com a “taça”. Foi justo. Lembro do episódio da Bélgica, quando tiraram a vitória do inglês, por ele ter “ousado” a ultrapassar. Ali, a FIA estabeleceu um equilíbrio que o campeonato já não tinha. Uso isto para fundamentar a minha opinião. Felipe Massa foi grande. Principalmente, no final do campeonato. Mas, o título, pelo episódio da Bélgica, ficou nas mãos certas.

CONSPIRAÇÃO:

Por favor, chega com a história de conspiração. Na última volta somente dois carros não tinham trocado os pneus para pista molhada. Estavam – portanto - com pneus para pista seca, com Interlagos chovendo. Eram eles ambos os pilotos da Toyotta, que resolveram arriscar ir até o final. Explico ainda, que Timo Glock somente estava na última volta em quarto lugar, pois não havia parado para trocar os pneus. Resumindo tempo de volta de Glock: 1.44.731. Tempo de volta de Trulli (seu companheiro de equipe e que estava nas mesmas condições): 1.44.800. Vejam, portanto, que Glock chegou até a andar mais rápido que Trulli, na última volta. Os dados podem ser coletados em vários sites e blogs de automobilismo e na própria página da FIA. Para finalizar: a Toyotta tem os seus compromissos com patrocinadores. Metas a cumprir durante a temporada. Jamais facilitaria a vida de uma concorrente, no caso a Mercedes-McLaren. Portanto, chega!!!!

CONSOLO:

O brasileiro entrou na onda do automobilismo, por força dos resultados de Felipe Massa. Por ter ele chegado ao Brasil com chances de ser campeão do mundo. Voltamos a dar importância a F1, pois tem brasileiro ganhando. Então, um lembrete: anotem as datas do calendário da próxima temporada em começa no final de março/2009 (28/29). E um detalhe: Felipe Massa amadureceu muito neste ano de 2008. Começou mal o campeonato, cometeu erros (Malásia), reagiu. Mostrou evolução no aspecto psicológico e se credenciou ao título do próximo ano.

ENTENDEM??
Pessoal que lê o BANDEIRADA, sabe do meu fanatismo por automobilismo de competição. Deixo de fazer qualquer coisa para assistir uma corrida, especialmente, as da F1. O final do GP Brasil, no domingo, é a prova definitiva que este fanatismo não é à toa. Entenderam porque gastei mais de MIL HORAS da minha vida, frente a uma televisão vendo provas da F1????

SAUDADES:

Serão quase cinco meses sem F1. Confesso! Já estou morrendo de saudades.

URUGUAIANA, 05 DE NOVEMBRO DE 2008.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

AUTOMOBILISMO: ASSUNTO DO FINAL DE SEMANA

TEXTO PUBLICO NO JORNAL TRIBUNA (30/10/2008)

NÃO TEM OUTRO ASSUNTO:

No domingo, em Interlagos, se decide mais um mundial de F1. Será a final do 49º campeonato da história, que começo no dia 13/05/1950, em Silverstone, na Inglaterra. É a primeira vez, que um brasileiro decide “em casa”, o título da categoria. Tudo isto, não me sobra outro assunto para abordar aqui.
Todos sabem da minha paixão pelo automobilismo, acompanho a F1, desde 1971. Antes de termos o nosso primeiro campeão, o Emerson Fittipaldi (1972). Vi todas as corridas de Nelson Piquet, todas de Senna, todas de Michael Schumacher. Disse todas. Pois desde lá, não perdi nenhuma, de acompanhar ao vivo. Ininterruptamente. No início, escutava no rádio de pilha, na Globo do Rio, com narração do Jorge Curi, reportagem do húngaro Janos Langel e comentários do hoje meu amigo Celso Itiberê (colunista de automobilismo do Globo), o melhor dos melhores. Depois, veio o compacto, no Fantástico. Finalmente, em 1978, quando fui morar em Porto Alegre, passei a ver ao vivo as corridas nos domingos pela manhã. Lembro que o narrador era o Luciano do Vale. O Reginaldo Leme gatinhava nos comentários. Em 1984, já na era do vídeo cassete, passei a gravá-las. Todas, sem perder um detalhe. Finalmente, a F1 tornou-se um dos maiores espetáculos da terra. Cada corrida uma verdadeira obra de arte no colorido dos carros, dos motorhomes, da sofisticação dos autódromos, cuja arquitetura serve exemplo para outras grandes obras no planeta. Veja-se a que ponto chegou a F1, que corridas são realizadas à noite, com clarão de um dia, ao custo dos bolsos emergentes de Cingapura. Lá no longínquo, 1971, isto nunca me passou pela cabeça...

Depois de uma temporada com 17 corridas já disputadas, me encontro no aguardo da última (18ª). Cheio de expectativas, como se fosse à primeira. Depois de ter acompanhado 593 delas, de um total de 802, já realizadas desde 1950. Dado incrível para quem nasceu dez anos depois da criação da categoria. Talvez, poucos tenham isto no currículo, aqui no Rio Grande do Sul, quiçá até no Brasil. Uma doença, não nego, pois NADA me tira da frente da televisão, durante uma corrida de F1. Disse NADA.

Uruguaiana, 29 de outubro de 2008.

DECISÃO E PRESSÃO

DECISÃO E A PRESSÃO:

Sinceramente, não creio que a pressão será o fator de decisão, no campeonato. Qualquer praticante de esporte sofre a sua pressão. Uns mais outros menos. Imagine uma final de futebol, estádio cheio... Uma decisão no basquete americano. De outra medalha olímpica. Portanto, todo o atleta tem que estar preparado para viver este momento. Assim, não podemos dizer que o inglês Lewis Hamilton vai sentir mais pressão do que o brasileiro Felipe Massa, quando apagarem-se as luzes na largada do GP Brasil, domingo. Já estiveram em situações semelhantes em suas carreiras, nas categorias de base e mais jovens. Estão acostumados com a pressão, embora, quem sejamos nós para medi-las. Certamente, Hamilton vai ser arrojado como sempre e Massa usará a sua tática de corrida. O resultado final, dependerá de vários fatores. Porém, não vejo a pressão como fator relevante na hora da decisão.

CHANCES:

A Ferrari é o carro mais adequado a Interlagos. Venceu facilmente ano passado. Porém, a escolha dos pneus pode ser fator de equilíbrio nesta disputa, já que a McLaren tem se dado melhor com os compostos, principalmente, nas ultimas corridas (conjunto duro e semi-mole). Mas, tem o fator motor. Neste quesito a vantagem é da Ferrari, que corre com motores novíssimos e a McLaren terá que repetir o mesmo do GP China. Mais chance de quebra. Muito embora, para o piloto da McLaren não seja necessário correr riscos.

DEPENDÊNCIA:

Imaginam que Felipe Massa seja o vencedor do GP, para chegar ao título necessitaria da colaboração de mais quatro pilotos para preencher as posições a frente de Hamilton (2º, 3º, 4º e 5º lugares, deixando para o inglês o 6º). Na verdade, pelo que se viu no campeonato, não tem ninguém, exceto Raikkonen, que possa garantir a tarefa. Ambas as BMW e as Renault não têm força suficiente para derrotarem o inglês, sem o infortúnio. É melhor o brasileiro torcer pela quebra ou acidente do inglês.

PIZZA:

Depois do anuncio da FIA de que quer motores padronizados e quase monomarca na F1, houve manifestações da Ferrari e Toyota em abandonarem a categoria. Nos meus 38 anos acompanhando a categoria, já vi este filme muitas vezes. Basta uma discórdia e volta o papo de abandono da categoria. Desta vez, sei, a turma do Bernie Ecclestone foi longe demais. Motor padrão é exigir que as grandes montadoras do planeta usem equipamento produzido por terceiros. Uma heresia. Ninguém vai topar. A história do motor padrão e do abandono da categoria pelas montadoras, vai acabar como sempre: em pizza.

URUGUAIANA, 29 DE OUTUBRO DE 2008.